O pecuarista brasileiro tem se esforçado para levar a lucratividade do seu negócio, aumentando a qualidade dos pastos, realizando o melhoramento genético do rebanho, zelando pela nutrição dos animais, fazendo o piqueteamento, entre outros.
Além desses cuidados, outra questão tem se tornado relevante principalmente entre os pecuaristas mais tecnificados: a qualidade do produto produzido, ou seja, a carne.
Gerar produtos de qualidade é o objetivo de qualquer setor da economia que deseja crescer e manter-se com credibilidade no mercado, não sendo diferente na pecuária de corte, que deve primar em oferecer ao consumidor uma carne de qualidade.
As lesões de carcaça, por sua vez, são um dos fatores importantes que impedem o pecuarista de obter esta qualidade. As lesões são causadas por produtos injetáveis como antibióticos e vacinas com adjuvantes (veículos) insolúveis que são irritantes ou que permanecem no local de aplicação. Esta situação é agravada quando existe falta de higiene no processo de aplicação como, por exemplo, agulhas e aparelhos de aplicação sujos ou em más condições.
Dois estudos realizados no Brasil, nos anos de 1998 e 2000, tiveram como objetivo quantificar as perdas decorrentes das lesões de carcaça provocadas por produtos injetáveis. O primeiro estudo envolveu 4.000 carcaças de bovinos abatidos em oito frigoríficos, onde se avaliou as perdas com lesões na linha de abate. Observou-se que 69% das carcaças estavam lesionadas e a perda média por carcaça era de 406 gramas, gerando prejuízos de mais de uma tonelada de carne imprópria para consumo. O segundo estudo quantificou as lesões de carcaça ma desossa: dez frigoríficos e 5.000 carcaças foram envolvidas; observou-se um descarte médio de carne lesionada da ordem de 128 gramas por carcaça.
Todos estes prejuízos, sentidos diretamente no bolso do produtor, eram tidos como inevitáveis. Mas hoje, podemos minimizar essa perda financeira utilizando veículos que não lesionam e adotando práticas higiênicas durante a aplicação dos produtos.
A indústria veterinária já oferece produtos que não lesionam. Cabe ao pecuarista adotá-los, tendo como objetivo o aumento da qualidade e dos lucros. Num futuro próximo, quando a tipificação de carcaça for uma realidade, a qualidade da carne será uma exigência geral do mercado. Quem já estiver habituado, certamente sairá na frente e conseguirá oferecer um produto melhorado.