“A aftosa é um problema de todos. Do governo, dos produtores, da sociedade. Só com trabalho conjunto vamos erradicar a doença do país”. Essa frase sintetiza a mensagem passada pelo médico veterinário com doutorado em virologia, Amaury Alfieri. A convite da SRP, ele falou para mais de 500 produtores rurais, na última segunda-feira (dia 31), no Centro de Treinamento Milton Alcover, sede da Sociedade Rural do Paraná. A palestra com o especialista precedeu a etapa londrinense do fórum regional “Paraná na luta contra a febre aftosa”. Participaram do fórum, o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme Ruiz, o secretário de Agricultura e Abastecimento em exercício Nilton Phol Ribas, o vice-governador do Estado, Orlando Pessuti, o presidente da Federação da Agricultura do Paraná, Ágide Meneguete, entre outras lideranças do setor agropecuário.
Durante sua palestra, Alfieri fez um relato sobre o que é a aftosa, qual o quadro da doença no Brasil e no mundo, e quais são as ações necessárias para que o Brasil conquiste o status de área livre de aftosa sem vacinação. Destacou que é preciso ações conjuntas entre poder público e privado para erradicar a doença. “Durante a década de 90, chegamos a registrar uma média de três mil focos de aftosa por ano no país. Conseguimos zerar esse índice em 2000 e 2003, devido ao trabalho conjunto entre poder público e privado”, disse. Mas ele ressaltou que não se pode descuidar da doença. “Os repasses de verbas do poder público caíram nos últimos anos. Os resultados desses descuidos estão aí, no ressurgimento da aftosa no Mato Grosso do Sul”, afirmou.
Após a palestra, foi aberta oficialmente, a etapa de Londrina do fórum “Paraná na luta contra a febre aftosa” – que mobilizou a classe agropecuária para a importância da Campanha de Vacinação no Estado, marcada para o período de 1º a 20 de novembro. O presidente da SRP, Edson Neme Ruiz, foi o primeiro a falar. Em seu discurso, Neme destacou que o produtor rural fez o dever de casa e cobrou uma maior rapidez dos órgãos governamentais quanto à divulgação dos resultados. “Temos acompanhado com muita angústia os últimos acontecimentos sobre a suspeita de febre aftosa no Paraná. Além de se encaminhar para uma grave crise econômica e social, os fatos têm demonstrado um absurdo descaso da classe política - principalmente do Governo Federal - com esta situação. É preciso mais agilidade dos nossos governantes para conhecermos os resultados dos exames conclusivos e, essencialmente, tranqüilizarmos os produtores rurais”, enfatizou Neme
Em seguida, falou o secretário da agricultura em exercício, Nilton Phol Ribas, que destacou o trabalho da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná. “O governo do Estado fez o que deveria; desde que recebemos o comunicado do foco em Mato Grosso do Sul, passamos a monitorar os animais que entraram no estado e imediatamente, instalamos barreiras sanitárias na divisa com Mato Grosso do sul. Quando tivemos indícios de que os animais poderiam estar contaminados, comunicamos rapidamente ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento”, disse. Ele também destacou a importância da conscientização sobre a importância da sanidade. “Educar produtores, governo e sociedade é a única saída”, afirmou. Ribas destacou também, a importância das parcerias. “Tratados de cooperação técnica e trabalho conjunto. Esta é a solução”, disse.
Em entrevista à imprensa, o vice-governador, Orlando Pessuti, reafirmou que o governo do Estado fez sua parte, e ressaltou também a importância do trabalho feito pela SEAB/PR. “Fizemos o que era certo. Prefiro ser julgado por excesso de cuidados, do que por negligência. Seria errado só se pronunciar após ter os resultados dos exames em mãos”, finalizou.