Café e borracha. Uma associação que pode parecer estranha para a maioria das pessoas é a aposta de um grupo de pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) para aumentar o lucro de pequenos e médios produtores. Segundo pesquisas desenvolvidas pelo Instituto, quando a seringueira e os cafezais convivem juntos, as duas culturas se beneficiam. Além disso, o produtor que opta pelo cultivo conjunto, garante uma renda mensal fixa com a sangria da borracha, enquanto espera a colheita do café.
Os primeiros estudos sobre o cultivo do café e da seringueira foram realizados no final da década de 80, em São Paulo. Inicialmente, a seringueira foi plantada para ajudar na erradicação de cafezais antigos, já em fase de extinção. Mas um fato inusitado surgiu: os agrônomos perceberam que a vida útil dos pés de café aumentou nas lavouras em que as seringueiras haviam sido plantadas. Com isso, o interesse dos pesquisadores pelas duas culturas aumentou. Aqui no Paraná, a pesquisa sobre o café e a seringueira começou em 1992, numa parceria entre o IAPAR e uma empresa privada. Ao longo destes 14 anos, os benefícios apresentados foram muitos.
Segundo Jomar da Paz Pereira, agrônomo do Iapar e responsável pela pesquisa, quando plantada junto com o café, a seringueira diminui o tempo de sangria de sete para cinco anos. A árvore também cresce até duas vezes mais do que o período normal. “Os benefícios são enormes. Crescendo mais rápido, a árvore atinge logo o período de sangria e com isso, passa a gerar lucro para os produtores mais rapidamente”, disse. “Isso é ótimo para o produtor, que tem uma renda fixa mensal com a sangria da seringueira, enquanto não obtém lucro com a venda do café”, afirmou.
Mas não é só a produção de borracha que se beneficia com o cultivo conjunto. A sombra da seringueira sobre os cafezais faz com que haja um aumento no tamanho do grão do café. “A copa da árvore faz uma sombra média nos cafezais, e essa sombra é responsável pelo aumento no tamanho do grão. A quantidade de grãos produzidos diminui, mas como o tamanho aumenta, não há perdas. Pelo contrário, o volume cresce”, afirma Pereira. “O interessante é que descobrimos que essa história de que o café precisa necessariamente de muito sol para se desenvolver é lenda. A sombra média faz muito bem para a qualidade do grão do café”, disse. O pesquisador também alerta que não há nenhuma alteração na qualidade do grão. “O café produzido em comunhão com a seringueira não tem nenhuma alteração em relação ao sabor, ou a qualidade”, completou.