A confirmação da ocorrência do fenômeno La Ninã nestes próximos meses favorece a implantação de lavouras de trigo no Paraná.
No mês de março os agricultores do Norte do Paraná já deverão estar semeando as primeiras lavouras de trigo. Segundo o pesquisador Luiz Alberto Campos, do Instituto Agronômico do Paraná, a previsão de temperaturas mais amenas e período com menos chuva para o inverno beneficiará o trigo em detrimento do milho este ano. "Apesar do desânimo de alguns devido aos resultados da safra passada, o trigo vai ser a melhor opção e o produtor não deve repetir o que fez no ano passado quando optou pelo milho e depois teve que tombar a área para plantar o trigo tardiamente e enfrentando chuva na colheita", alerta Campos.
No final de janeiro, pesquisadores, técnicos e produtores estiveram reunidos em Londrina (PR) para discutir a próxima safra de inverno. A Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária convidou especialistas da CONAB, da Bunge e do Simepar para troca de informações e dar subsídios à decisão do produtor.
A previsão de índice de chuvas abaixo da média e má distribuição foi apresentada pelo meteorologista do Simepar, Itamar Moreira. O Paraná é o maior produtor de trigo do país e 80% da safra está concentrada no Norte e Oeste do Estado. O plantio no Norte se inicia dia 11 de março e no Oeste a partir do dia 21. "No segundo decênio de abril é a época do pico do plantio. Atualmente 70% das cultivares utilizadas são de ciclo médio", informa Campos.
O pesquisador recomenda ao produtor um planejamento antecipado da lavoura com a escolha das variedades, definição de área e estar pronto para o plantio assim que as condições estiverem adequadas. "É importante que o produtor faça uma semeadura mais profunda, de 4 a 5 cm, para evitar perdas por falta de chuva", lembrou o agrônomo.
Para Gustavo Bracale, da Gerência de Alimentos Básicos da CONAB, que também participou da reunião, esta safra apresenta um cenário mais favorável à triticultura brasileira em relação à safra anterior.
Quanto à atuação do governo perante o trigo, poucas novidades. Bracale diz que deve se repetir a estratégia de atuação adotada na safra passada, com o Prêmio por Escoamento da Produção (PEP), Aquisição do Governo Federal (AGF) e realização de contratos privados de opção (PROP). Em relação às principais reclamações dos produtores, que são a garantia do preço mínimo e escoamento da safra, Bracale afirma que isso vai depender do plano orçamentário que ainda não foi discutido pelo governo e que tem previsão para os próximos dois meses.
Bracale prevê para 2006 que a taxa cambial varie entre R$ 2,40 e R$ 2,50, influenciada pela tendência de queda nos juros, fator que também estimula a exportação. “Os custos de produção devem ser mais baixos e os juros devem seguir a tendência de queda proporcionando este impacto na taxa de câmbio”, acrescenta o técnico. A safra 2006/07 deve ser de 5 milhões de toneladas.
Fonte: Cristina Côrtes/Rural Press, adaptado pela assessoria de imprensa da SRP