Apesar dos registros de ferrugem no Estado, maior preocupação do agricultor deve ser a falta de chuva no período de florescimento da vagem.
Faltou chuva em novembro, dezembro e janeiro. Exatamente no período em que os agricultores mais precisavam dela. E com a seca, mais uma vez, vieram os prejuízos. Enquanto outros Estados, como o Mato Grosso, sofrem com o avanço da ferrugem asiática, no Paraná, é a seca que arrasa as lavouras. Em algumas regiões do estado, como a oeste e no sudoeste, muitos sojicultores devem perder boa parte da produção. No norte do Paraná, as perdas devem girar em torno de 10%, mas se a irregularidade nas chuvas persistir, elas devem chegar a 30% do total de grãos produzidos, segundo o pesquisador em Engenharia Agrícola do Iapar, Rogério Faria.
As regiões oeste e sudoeste são as que mais sofrem com a seca. Na região de Cascavel, muitos agricultores perderam tudo. As chuvas este ano foram poucas e más distribuídas, resultado de uma massa de ar quente e seca que estacionou sobre a região Sul. Segundo o meteorologista do Simepar, Itamar Moreira, para que os prejuízos não aumentem, é necessário que se chova pelo menos, 40 milímetros semanais. “Nas últimas semanas estamos tendo um aumento no volume de chuvas em todo o estado. Aqui em Londrina, tem chovido os 40 mm suficientes para que as lavouras não tenham mais prejuízos, situação que, por exemplo, não ocorre em outras regiões”, afirma.
E essa inconstância na quantidade de chuvas tem sido a principal preocupação do sojicultor Adolfo Turquino. Com propriedades em diferentes regiões do Paraná, além de Mato Grosso do Sul, Turquino diz que a má distribuição das chuvas fez com que os prejuízos com a estiagem fossem diferentes em cada uma de suas propriedades. “Em Tamarana, devo perder até 25% do total. Já na lavoura de Bela Vista do Paraíso, não terei problema algum”, afirmou. “As chuvas esse ano foram más distribuídas. Lá em Eldorado (Mato Grosso do Sul), por exemplo, tive perda total”, completou.
Para fugir de eventuais prejuízos, muito agricultores adotam a tática do plantio precoce. Em 2005 a estratégia funcionou, já que a estiagem começou apenas em fevereiro. Mas dessa vez, nem a mudança na data de semeio conseguiu fazer com que as lavouras escapassem. Segundo Faria, a estiagem chegou mais cedo este ano (em dezembro) e por isso, as perdas devem ser maiores neste ano. “Esse ano, a massa de ar quente, que causa a seca e que normalmente atua sobre o país durante o verão, chegou mais cedo. Faltou água no período de florescimento da vagem, um momento que é crítico para o desenvolvimento da soja. Sem a chuva, as lavouras não se desenvolveram”, afirmou. “No ano passado, a seca veio em fevereiro, o que amenizou um pouco os prejuízos, já que no período de florescimento, não faltou chuva”, diz. .
Segundo o Departamento de Economia Rural, órgão ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), esse ano, a produtividade de grãos por hectare deve cair de 3mil para 2,6 mil quilos.