Produzir mais deixou de ser suficiente. Essa foi a principal mensagem da primeira edição do Circuito SRP, iniciativa da Sociedade Rural do Paraná (SRP) que reuniu empresas, cooperativas, startups, entidades setoriais e produtores para discutir os desafios da rentabilidade na cultura do milho.
Realizado nesta terça-feira (17), no Parque Governador Ney Braga Eventos, em Londrina, o encontro foi construído a partir dos dados do Observatório de Indicadores da SRP, que apontam um cenário paradoxal para o agronegócio paranaense. Embora o estado esteja entre os maiores produtores de milho do país e apresente produtividade superior à média nacional, os custos de produção e a redução das margens têm pressionado a sustentabilidade econômica da atividade.
"O produtor paranaense é altamente eficiente do ponto de vista produtivo. O desafio agora é econômico. Precisamos discutir cada vez mais os dados e entender como toda a cadeia pode contribuir para proteger a margem do produtor. Foi justamente dessa necessidade que nasceu o Circuito SRP", afirmou Tatiana Fiuza, diretora de Inovação da da Sociedade Rural do Paraná e idealizadora do evento.
A partir desse diagnóstico, o Circuito SRP foi criado para aproximar diferentes elos da cadeia produtiva e discutir soluções para os desafios do agro. A iniciativa representa uma nova agenda estratégica da Sociedade Rural do Paraná para conectar dados, mercado, tecnologia e setor produtivo.
"O agro vive um momento em que produtividade, sozinha, já não garante resultado econômico. É preciso conectar dados, conhecimento, inovação e os diferentes elos da cadeia produtiva para construir soluções capazes de aumentar a competitividade e a sustentabilidade do setor. O Circuito SRP nasce justamente com esse propósito e reforça o papel da Sociedade Rural do Paraná como um ambiente de articulação e desenvolvimento para o agro brasileiro", destacou o presidente da SRP, Marcelo Janene El-Kadre.
Rentabilidade exige integração
O painel "Como as empresas estão olhando para a margem do produtor" trouxe como debate os caminhos para aumentar a eficiência econômica no campo. Participaram da discussão Gabriel Giacomini Marques, especialista de Marketing da GDM, Rodrigo Conor, gerente de Novos Negócios e Inovação Aberta da Cibra, e João Marcos Ferrari, diretor comercial da Nortox. A moderação foi realizada pelo empresário e produtor rural Pedro Favoreto,
Ao longo da discussão, ficou evidente que a proteção da rentabilidade depende da integração entre diferentes fatores, como genética, manejo, fertilidade do solo, proteção de cultivos, biotecnologia e gestão baseada em dados.
Os participantes destacaram que não existe solução isolada para os desafios do campo. Segundo eles, a construção da rentabilidade passa pela combinação de tecnologias, pela adoção de boas práticas e por decisões cada vez mais assertivas.
Tecnologia precisa gerar resultado econômico
O Circuito SRP também reuniu empresas de base tecnológica que apresentaram soluções voltadas à redução de perdas, aumento da eficiência operacional e melhoria da qualidade dos grãos.
Vinicius Ortiz, fundador da Termoplex, mostrou como a automação no pós-colheita pode reduzir desperdícios e aumentar a eficiência da armazenagem.
Davi Krieger da Silva, diretor de operações da Neosilos, apresentou aplicações de inteligência artificial na classificação de grãos, demonstrando como o uso de dados pode agregar valor à produção.
Já Carlos Eduardo de Castro Almeida, diretor comercial da Laborsolo e cofundador da The Soil Company, destacou a importância da saúde do solo para a rentabilidade das lavouras. "Tecnologia não é luxo de ano bom. É sobrevivência na crise", resumiu.
O milho como vetor de desenvolvimento
Encerrando a programação, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, destacou a transformação da cadeia do milho nas últimas décadas.
Segundo ele, o grão deixou de ser uma cultura secundária para assumir papel estratégico na geração de renda, na alimentação animal, na produção de etanol e no desenvolvimento de novos mercados.
Bertolini também ressaltou o potencial de crescimento do sorgo como alternativa produtiva em regiões de maior risco climático e como oportunidade de diversificação para os produtores.
O diferencial está nas conexões
Ao reunir grandes corporações, empresas de base tecnológica, entidades setoriais, cooperativas e produtores em torno de um desafio comum, o Circuito SRP reforça o papel do Cocriagro e do SRP Valley como ambientes de conexão e competitividade para o agronegócio.
A iniciativa da Sociedade Rural do Paraná é transformar dados em inteligência e aproximar quem produz, quem desenvolve soluções e quem toma decisões no setor, além de criar espaços capazes de acelerar conexões qualificadas e fortalecer a competitividade do agro brasileiro.