O agronegócio paranaense é reconhecido nacionalmente por sua capacidade de produzir com eficiência. Ao longo das últimas décadas, nossos produtores investiram em tecnologia, profissionalização, pesquisa e gestão, transformando o Paraná em uma das maiores potências agrícolas do Brasil.
Essa evolução não aconteceu por acaso. Ela é resultado do trabalho diário de produtores rurais que assumem riscos, enfrentam desafios climáticos, convivem com oscilações de mercado e seguem investindo para manter o campo produtivo e competitivo. Os números mais recentes da cadeia do milho confirmam essa realidade.
Dados reunidos pelo Observatório de Indicadores da Sociedade Rural do Paraná, com base em informações da Conab, mostram que o Paraná deverá produzir 21,7 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26, representando 15,57% da produção nacional. A produtividade estimada é de 6.773 quilos por hectare, cerca de 9% acima da média brasileira.
São indicadores que demonstram a competência do produtor paranaense e a força do nosso agro. Mas os mesmos números revelam um desafio que não pode ser ignorado.
Apesar da elevada produtividade, a rentabilidade da atividade tem sido pressionada pelo aumento dos custos de produção e pela dificuldade de os preços acompanharem essa evolução. Na safra de referência 2024/25, o custo total de produção do milho no Paraná alcançou R$ 69,35 por saca, enquanto o preço médio recebido pelo produtor foi de R$ 54,08. O resultado foi uma margem negativa de R$ 15,27 por saca.
Em outras palavras, estamos diante de uma situação em que produzir bem já não é garantia de resultado econômico positivo.Essa constatação é importante porque muda o foco do debate. Durante muitos anos, o grande desafio do agro brasileiro foi aumentar a produtividade. O produtor respondeu a esse desafio. Investiu, modernizou sua atividade e tornou-se mais eficiente.
Hoje, porém, precisamos discutir outro tema: como garantir que essa eficiência se transforme em renda e sustentabilidade para quem produz.
Na região de Londrina, por exemplo, e em todo o Norte do Paraná, encontramos produtores altamente tecnificados, que figuram entre os mais produtivos do país. Ainda assim, muitos convivem com margens apertadas ou negativas, por conta das grandes variações de mercado. Isso demonstra que o problema não está dentro da porteira. O produtor está fazendo sua parte.
Como entidade representativa do setor, a Sociedade Rural do Paraná entende que seu papel é justamente contribuir para essa reflexão. Não basta, somente, celebrar recordes de produção. É necessário analisar a realidade econômica das propriedades rurais e levantar discussões que ajudem a construir soluções para o futuro.
Foi com esse propósito que criamos o Observatório de Indicadores da SRP. Acreditamos que decisões mais assertivas surgem quando o setor dispõe de informações qualificadas e de uma visão integrada entre produção, mercado e custos.
O debate sobre ampliação de mercados, agregação de valor, novas demandas para o milho, gestão de riscos e mecanismos que fortaleçam a competitividade da produção precisa estar cada vez mais presente. Afinal, a sustentabilidade do agro passa necessariamente pela sustentabilidade econômica do produtor.
O Paraná continuará sendo referência em produtividade. Mas nosso maior desafio daqui para frente é garantir que os homens e mulheres que produzem essa riqueza tenham condições de seguir investindo, inovando e permanecendo no campo.
Defender essa agenda é defender o futuro do agronegócio paranaense. E essa continuará sendo uma das principais missões da Sociedade Rural do Paraná.
Por Marcelo Janene El-Kadre
Presidente da Sociedade Rural do Paraná