A piscicultura paranaense vive um momento de expansão e começa a revelar novas oportunidades dentro da cadeia produtiva da tilápia. Enquanto o Oeste do estado segue como principal polo de produção, com forte presença de cooperativas e agroindústrias, o Norte do Paraná vem se destacando pela valorização do peixe e por preços acima da média observada nas regiões líderes em volume.
Os dados fazem parte do mais recente boletim do Observatório de Indicadores da Sociedade Rural do Paraná (SRP), que analisou informações de instituições como CEPEA, SEAB/DERAL, IBGE, Peixe BR e FAO.
Segundo o levantamento, em maio de 2026 o preço médio da tilápia no Norte do Paraná foi de R$ 10,47 por quilo, enquanto no Oeste ficou em R$ 8,96 por quilo. A diferença chegou a R$ 1,51 por quilo.
Para o Diretor de Aquicultura da Sociedade Rural do Paraná, Ricardo Neukirchner, os números apontados no Observatório da SRP, indicam que o futuro da piscicultura paranaense poderá ser determinado não apenas pela quantidade produzida, mas também pela capacidade de gerar valor ao longo da cadeia.
“O Oeste consolidou um modelo altamente eficiente, baseado em escala, integração produtiva e industrialização. Já o Norte apresenta uma dinâmica de mercado diferenciada, com maior valorização do produto e oportunidades de crescimento”, pontuou Ricardo.
Apesar dessa nova configuração regional, o Oeste segue concentrando a maior parte da produção estadual. Os núcleos regionais de Toledo e Cascavel respondem por quase 80% do Valor Bruto da Produção (VBP) da tilápia no Paraná. Somente Toledo movimentou mais de R$ 1 bilhão com a atividade em 2024.
No Norte do estado, municípios próximos ao Rio Paranapanema vêm fortalecendo a produção. Alvorada do Sul lidera a região, com mais de 2 milhões de quilos produzidos e Valor Bruto da Produção superior a R$ 19,7 milhões, seguida por Bela Vista do Paraíso e Primeiro de Maio.
Paraná lidera produção e exportação de tilápia
O estudo também confirma a posição de destaque do Paraná na piscicultura brasileira. Segundo o Anuário Peixe BR 2026, o estado produziu 273,1 mil toneladas de peixes cultivados em 2025, o equivalente a cerca de 27% de toda a produção nacional.
Em menos de dez anos, a atividade praticamente triplicou no estado. Em 2016, a produção paranaense era de 93,6 mil toneladas.
A tilápia é a grande protagonista desse crescimento e representa aproximadamente 98% de toda a piscicultura estadual.
O Paraná também lidera as exportações brasileiras da espécie. Em 2025, respondeu por metade de toda a receita gerada pelas exportações nacionais de tilápia, somando US$ 28,4 milhões.
Segundo o Observatório da SRP, esse avanço está diretamente ligado à organização da cadeia produtiva, aos investimentos em industrialização, logística, tecnologia e certificação, além da forte integração entre produtores, cooperativas e agroindústrias.
Setor entra em nova fase
O boletim destaca ainda que a piscicultura mundial atravessa um período de transformação. Pela primeira vez na história, a aquicultura superou a pesca extrativa em volume de produção, tornando-se a principal fonte de pescado para abastecimento global.
Nesse cenário, o Brasil já ocupa a quarta posição entre os maiores produtores mundiais de tilápia e ultrapassou a marca de 1 milhão de toneladas produzidas em piscicultura.
Para a Sociedade Rural do Paraná, os próximos avanços do setor deverão estar cada vez mais ligados à tecnologia, genética, eficiência produtiva, rastreabilidade e agregação de valor.
“O setor vive um momento positivo, impulsionado pelo crescimento da produção, pela valorização do produto e pelo avanço das exportações. O desafio agora é transformar eficiência e inovação em novos ganhos de competitividade”, conclui Ricardo.
O boletim completo do Observatório de Indicadores da Sociedade Rural do Paraná está disponível junto à entidade.